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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Nilci Guimarães Via Trovas * Antonio Cabral Filho - RJ

Nilci Guimarães
Nilci da Silva Guimarães
...

TROVAS
&&&

Guarda no olhar a doçura
com que me embalou um dia.
Mãe lembra sempre a figura
e a ternura de Maria.
&
Toda criança constrói
um mundo feliz, sem medo.
Foste, pai, o meu herói
do meu mundo de brinquedo.  

Com ódio, o homem na Terra,
a tudo faz e desfaz ...
Que bom, se ao invés de guerra,
pensasse apenas na Paz!
 &
Não lastimes tua sorte.
Olha que, ao teu derredor,
há quem se faça de forte
e sente dor bem maior...
 (co-vencedora UBT Rio de Janeiro  - 1980)
&
Tua beleza, Maria,
tem o dom de confundir:
- Nem artista poderia
mesmo em bronze te esculpir!
 &
Eu sinto febre, querido,
estou enferma – é verdade.
Meu coração mal-ferido
sofre a dor de uma saudade...
 &
Minha tristeza, meu pranto,
um dia irão fenecer.
E, nesse dia – garanto –
passarás a me querer...
 &
Foi amor de três semanas
e não mais – foi curto assim:
Contudo, tu não me enganas,
sei que ainda gostas de mim.
 &
Vai, seresteiro, em teu canto
levar a todos o amor,
qual prece rezada a um santo
quando em momento de dor.
 &
Minha alegria não pára... 
Mas, se não pára é porque
a alegria, que é tão rara,
vem juntinho de você.
 &
A alegria foi-se embora
quando se foi seu carinho.
E chega em meu peito agora
a saudade, de mansinho... 
***

***
Informe Biográfico

"

 Nilci Guimarães é o nome poético de Nilci da Silva Guimarães, nascida em 06 de março de 1949, na cidade do Rio de Janeiro; filha de Carlos da Silva Guimarães Júnior e Nilza Bruno Guimarães. 
Foi professora da Rede Municipal de Ensino e, após cursar Pedagogia e Mestrado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro- UERJ -  passou a exercer a função de Supervisora nas escolas públicas municipais e, pelo seu brilhante desempenho, foi requisitada para trabalhar na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, coordenando, orientando e apoiando o trabalho pedagógico da rede.
Prestando concurso para a Universidade Federal do Rio de Janeiro - UNI-RIO, foi aprovada, em primeiro lugar, passando a lecionar naquela universidade, tendo sido homenageada por várias turmas de formandos, para as quais foi escolhida como paraninfo. Muito querida pelos alunos, foi um dos poucos professores homenageados, quando do aniversário de 80 anos da Escola de Muselogia da Universidade, tendo a honra de receber uma medalha por excelentes serviços prestados à Escola.
Exerceu, por dois mandatos consecutivos, a função de Pró-Reitora de Graduação, até desencarnar precocemente em 04 de agosto de 2010.
Trovadora premiada em diversos concursos, pertenceu aos quadros da União Brasileira de Trovadores - UBT-.


Não encontrei o caderno de poesias dela. Acho que escafedeu-se na mudança.


Ela não tinha ainda muitas trovas, mas tinha inclusive algumas premiadas.
Só me membro de duas:


Imagem não há mais pura,
Esse encontro me enternece.
As mãos postas, com ternura,
na comunhão de uma prece.


As dores e os desencantos 
das mágoas de amor, sofridas,
são mais doridas que os prantos
das últimas despedidas...

"

Referências
***

ADEUS A NILCI

http://www.falandodetrova.com.br/adeusnilci 
José Feldman - PR
https://nuhtaradahab.wordpress.com/category/trovas/page/72/
José Feldman
https://singrandohorizontes.blogspot.com/2012/05/ciranda-de-trovas-mae-parte-2-final.html

Fotos: 
Arquivo da família gentilmente cedidas por Narli Guimarães, que nos honrou com o informe biográfico.
*

terça-feira, 5 de junho de 2018

Carlos Guimarães: Trovas Etc * Antonio Cabral Filho - Rj

Carlos Guimarães: Trovas Etc
Canto, feliz, para quem
é meu Sol de Primavera
e, em suas mãos, hoje, tem
CANTIGAS QUE ALGUÉM ESPERA.
1 - Trovas
Ponho nas trovas amigas
um pouco do meu viver,
por isso, chamo-as CANTIGAS,
CANTIGAS DE BEM-QUERER.
&
À minha trova imperfeita
somente um destino almejo:
- pra tua boca ser feita,
como foi feito o meu beijo.
&
A tua mão carinhosa,
quando me vem afagar,
lembra a ternura da rosa
desabrochando ao luar...
&
Ai amor, que me fugiste
e deixaste tantas mágoas!
Sou, hoje, um salgueiro triste
chorando à beira das águas...
&
As coisas simples, pequenas,
bem pode o Amor transformar:
- eu dei-te uma casa, apenas,
dela, tu fizeste um Lar!
&
Ao desespero me entrego...
Choro tanto, tanto, tanto,
que receio ficar cego:
- olhos desfeitos em pranto...
&
A mais triste das notícias
tu me dás com tanta graça,
por entre tantas carícias,
que a tristeza vem ...e passa.
&
A ternura do meu beijo,
em vão, ocultar procura,
este meu louco desejo
de beijar-te sem ternura.
&
A tua mão, que transforma
pesares meus em ventura,
é uma flor de estranha forma,
toda feita de ternura.
&
A Estrela D'alva perdida
no céu, em plena alvorada,
é uma lágrima vertida
dos olhos da madrugada.
&
As roseiras tão vaidosas,
quando me vens visitar,
deitam pétalas de rosas
nas pedras que vais pisar.
&
A prece que tu fizeste,
mão unida à minha mão,
se não foi ao Pai Celeste,
entrou no meu coração.
&
As velas pandas ao vento...
Doidas gaivotas pelo ar...
Você no meu pensamento...
E, entre nós dois, esse Mar...
&
A tua boca perfeita,
que tem do pecado a cor,
parece, amor, que foi feita
para os meus lábios de amor...
&
Beijo teu beijo na rede,
com repassada ternura,
como quem sacia a sede
numa fonte de água pura.
&
Contra a tua ingratidão,
transbordando indiferença,
meu remédio é a solidão,
meu refúgio é minha crença.
&
Cantando canções antigas,
a serenata me encanta
porque repete as cantigas,
que a minha saudade canta...
&
Chora, amor, que o pranto encerra
lenitivo à alma ferida:
depois da chuva é que a terra
se apresenta mais florida...
&
Deus que te deu tanta graça,
que te fez linda e faceira,
espero, amor, que te faça
minha eterna companheira.
&
Devo tudo quanto sou
e a Vida me concedeu,
à mãe que Deus me levou
e à mulher que Ele me deu.
&
Desfaz-se a flor, mas, no galho,
deixa em pétala singela,
uma lágrima de orvalho,
que a noite chorou por ela.
&
Deixei-te, amor, e não sei
como aquilo aconteceu,
pois nunca mais encontrei
outro beijo igual ao teu...
&
Devo a essa boca vermelha
ser o escravo que, hoje, sou:
foi o teu beijo a centelha,
que o meu peito incendiou!
&
Eu sou feliz - bem ou mal -
crendo nas tuas promessas,
porque a Esperança, afinal,
é uma Saudade às avessas.
&
Ela se vai... Eu aceito
o adeus com tranquilidade
e o céu da distância enfeito
com estrelas de saudade...
&
Eu tenho quatro vizinhas,
- que santas meninas são! -
à sua porta, às tardinhas,
há homens em procissão...
&
... *
Alguma Fortuna Crítica
1
"acabei de ler tuas CANTIGAS. Primeiro, re-agradeço a gentileza da oferta. Segundo, alegrei-me, também, pelo reencontro. Por último, me regalei  com tanta trova boa.
João Felício dos Santos
Rio de Janeiro - RJ/Junho de 1978"
2
"Suas trovas, carregadas de imagens simples e profundas, perpetuam, na mente dos leitores, os "cromos eternos" de cultura e lazer. É uma lição para todos nós.
Nilton Manoel 
Diário da Manhã - Ribeirão Preto - SP/outubro de 1978"
3
"(...)O livro, como não poderia deixar de ser, está ótimo. Franciscaníssimo! - nome do autor em minúsculas, sem prefácio, dispensando tudo o que de verdade poderia ser dito e deixando que a qualidade falasse por si mesma(...)
Carolina Ramos - SP
"
2 - Poemas

2.1 Poemas

Maria Fumaça
-soneto-

Ei-la resfolegante... A serra vai subindo...
E silva, e geme, e  range, e, cansada, estertora...
Parece vai parar... Mas, logo, sem demora,
num esforço final, vai seu rumo seguindo...

Transpirando vapor, chega à planície e, agora,
vai, pachorrentamente, os trilhos deglutindo...
Lança chispas de fogo, e as chispas vão caindo,
num chuveiro de luz, pelo caminho a fora...

E, sozinha, transporta a Maria Fumaça,
nos vagões entulhados e cheios de gente,
do progresso a semente, aos confins do país...

E esse monstro de ferro, a silvar quando passa,
parece que tem vida e um coração fremente,
que vibra emocionado e palpita feliz!...

...

3 - Resumo Biográfico

Carlos Guimarães é o nome literário de Carlos da Silva Guimarães Júnior, nascido na cidade do Rio de Janeiro em 22 de outubro de 1915, sendo o primogênito do casal Ermelinda Conceição Guimarães e Carlos da Silva Guimarães.

Casou-se, em 1938, com Nilza Bruno Guimarães. Da união, nasceram três filhas. 
Da esquerda para a direita:
 Carli, desconhecido, Narli, Carlos e Nilci.



Adilson Rainha, 
co-elaborador do livro Rumos diVERSOS, em companhia da esposa Narli, única filha viva de Carlos Guimarães.
*
Vida Profissional

CARLOS GUIMARÃES
  é Engenheiro Arquiteto formado no ano de 1945 pela Faculdade Nacional de Arquitetura, da Universidade do Brasil. 

Exerceu suas atividades profissionais na Estrada de Ferro Central do Brasil - EFCB, da Rede Ferroviária Federal S.A., admitido que foi como aprendiz-aluno  da Escola Profissional Silva Freire. Foi, mais tarde, Professor de matemática e desenho daquela Escola, Colégio Ateneu Brasileiro e Colégio Piedade, entre outros, chegando à função de Assistente do Departamento de Ensino e Seleção da EFCB.

Classificado como Engenheiro, em 1957, exerceu outras funções de chefia, tais como: Assistente dos Departamentos de Patrimônio e de Pessoal. Ocupou a chefia do Departamento de Assistência ao Ferroviário e foi Assessor da Sub-Chefia Divisional de Operações, da mesma Estrada de Ferro.

Aposentou-se em 1980, após quarenta e oito anos de serviços prestados à EFCB.

Vida Literária

Nas palavras de João Freire, 
"Carlos Guimarães foi exemplo no trato das coisas da UBT. Organizado, tranquilo, principalmente quando não aceitava as provocações que lhe chegavam via postal. Jamais foi omisso quando não tomava decisões drásticas que lhe exigiam e poderiam vir a prejudicar o Movimento Trovadoresco... 
Vitorioso em poesia, pela sensibilidade que sabe colocar em sonetos, poemas e elegias, Carlos Guimarães verseja com preciosa atividade criadora qualquer que seja a medida dos seus versos, a raridade de suas rimas, a pureza de seus temas e pela liderança, pois é um dos criadores de nova corrente literária - a Trova - e ainda pela constante atividade em sua implantação no Brasil, teve também vitoriosa e consagradora carreira de trovador."

Luiz Otávio dirige a UBT até 1969, quando passa o bastão a Carlos Guimarães. Mas dado o agravamento de sua saúde, vem a falecer em 1977. Carlos Guimarães segue na direção da UBT, cargo que exerceu até 1997, quando Deus o recolheu. Segundo o site Falando em Trovas, foi Magnifico Trovador com todos os méritos.
"... desde cedo, se dedicou às letras. Ainda garoto remetia suas composições e alinhavos de poesia para o Jornal do Brasil, onde eram publicados. Também teve muitos de seus trabalhos divulgados no jornal O Atalaia - órgão literário dos alunos da Escola Silva Freire. Mas, foi a partir de 1963 que iniciou o envio de suas composições - trovas, poesia, contos, ensaios - para Concursos Literários, no Brasil, em Portugal e na então África Portuguesa."
Foi... "reeleito, por vários biênios consecutivos, Presidente Nacional e Presidente da Seção Municipal do Rio de Janeiro da União Brasileira de Trovadores - UBT, organismo que, no Brasil, reúne a quase totalidade dos poetas cultivadores da Trova.
Possui o título de Magnifico Trovador que lhe foi outorgado, por duas vezes, por ter se classificado entre os primeiros colocados nos Jogos Florais de Nova Friburgo, durante três anos consecutivos, primeiramente, nos gêneros lírico e filosófico e, posteriormente, no gênero humorístico.

Devido às suas frequentes premiações nos concursos literários promovidos pela cidade de Valença, durante as Festas da Inteligência, foi eleito, por unanimidade, Acadêmico da Academia Valenciana de Letras.

Graças à difícil arte de versejar, Carlos Guimarães possui centenas de troféus,medalhas, placas e diplomas. 

Sua estante abriga prêmios obtidos em diversas cidades brasileiras: Santos, Valença, Niterói, Nova Friburgo, Resende, Divinópolis, Itaguaí, Campos, Maringá, Varginha, Mariana, Pouso Alegre, Petrópolis, Rio Novo, Belém, Belo Horizonte, Taubaté, São Lourenço, Natal, Uberlândia, Recife, São Luis, Magé, Itaboraí, São Bernardo do Campo, Campinas, Porto Alegre, Corumbá, Rio de Janeiro, São Pedro da Aldeia, Cachoeiras de Macacu, Curitiba, Macaé, Mendes etc.

Obteve classificações bastante significativas fora do Brasil: Setúbal, Lisboa, Barreiros, Lobito, Nova Lisboa, Moçâmedes, Ganda, Benguela.

Editou, em 1978, o livro "Cantigas Que Alguém Espera", contendo 303 trovas, grupadas em líricas, filosóficas e humorísticas. Possui, ainda inéditos, outros livros.

Agora, Carlos Guimarães traz à luz seu livro de poesias "Rumos diVERSOS", volume que enfeixa algumas das obras que foi  compondo ao longo de sua vida.
{/{
Segundo sua filha Narli Guimaraes-RJ

 sobre erros no livro A Trova - Raízes e Florescimento-UBT: 

Minhas irmãs desencarnadas eram Carli e Nilci.
Meu pai desencarnou em 1997 e não em 96.
São os únicos erros. Meu pai era isso mesmo, um contemporizador, ninguém conseguia brigar com ele. Apenas um... que era um provocador contumaz e um crítico severo de diversos trovadores.
Escreveu muitas cartas ofensivas, sem nenhum motivo, para vários, inclusive para o meu pai, que, como ele se definia era "algodão entre cristais". Vivia conciliando os brigões.
*
Bibliografia
Associação de Engenheiros da EFCB. Revista da Associação de Engenheiros da EFCB. Rio de Janeiro, Ano XV, nº116, Março/Abril 1972, pág 2;
Câmara Municipal de Ganda. Boletim. Cidade de Mariano Machado, Ano VII, nº7, junho 1974, pág 61;
Cantigas Que Alguém Espera. Edição Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 1978;
Rumos diVERSOS. Edição Cia Brasileira de Artes Gráficas, Rio de Janeiro 1993
...
***

sábado, 22 de julho de 2017

Eno Teodoro Wanke - Mestre Líder * Antonio Cabral Filho - RJ



"QUEM FOI ENO THEODORO WANKE?



Filemon F. Martins



ENO THEODORO WANKE (1929-2001) nasceu em Ponta Grossa, Paraná, a 23 de junho de 1929. Filho de Ernesto Francisco Wanke e de Lucilla Klüppel Wanke. Aprendeu as primeiras letras na Escola Evangélica Alemã, de sua cidade natal. Quando a escola foi fechada em razão do advento do Estado Novo, o futuro escritor foi transferido para o Liceu dos Campos, cuja proprietária era a educadora Judith Silveira, hoje nome de rua na cidade.
Estudou também no Colégio Regente Feijó, de Ponta Grossa, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Castro, PR, onde completou o ginásio. Em 1948, transferiu-se para Curitiba, PR, onde terminou o científico no Colégio Iguaçu e em 1949, após vestibular, entrou para a Escola de Engenharia Civil da Universidade do Paraná, formando-se em 1953. Trabalhou na Prefeitura de Ponta Grossa (1954-1955). Atuou como fiscal de construção de uma linha de alta tensão elétrica em Curitiba, da Companhia Força e Luz do Paraná.
Em 1957 ingressou, por concurso, no curso de Refinação de Petróleo, da Petrobrás, no Rio, passando a trabalhar em 1958 na Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão, SP, residindo em Santos, onde viveu onze anos. A partir de 1969 passou a residir no Rio de Janeiro, onde fez carreira dentro da Empresa.
Começou a escrever desde os doze anos. Poeta, Trovador, Contista, Cronista, Biógrafo, Ensaísta, Historiador, Fabulista e Prefaciador, entre outros. Como sonetista de primeira, obteve com o soneto APELO, 160 versões para 95 idiomas e dialetos. É o soneto em português mais traduzido para idiomas estrangeiros: “Eu venho da lição dos tempos idos/e vejo a guerra no horizonte armada. /Será que os homens bons não fazem nada? /Será que não me prestarão ouvidos? Eu vejo a Humanidade manejada/em prol dos interesses corrompidos. /É mister acabar com esta espada/suspensa sobre os lares oprimidos! É preciso ganhar maturidade/no fomento da paz e da verdade, /na supressão do mal e da loucura... Que a estrutura econômica da guerra/se faça em pó! E que reinem sobre a terra/os frutos do trabalho e da fartura!”.
Como trovador, escreveu trovas magníficas e inesquecíveis, como estas, entre outras: “Senhor! Que eu pratique o bem/ separe o joio do trigo, / e tenha força também/ de amar o irmão inimigo.” “Na praia deserta, eu penso/ que a imagem da solidão/ começa no mar imenso e finda em meu coração.” “Quem vai ao mar deitar rede/ que tome cuidado, tome!/ o mar nunca teve sede,/ mas nunca vi tanta fome!” “Seguindo a trilha infinita/ do meu destino estrelado,/ eu sou aquele que habita/ a ilusão de ser amado.” “O meu destino se encerra/ num grave e eterno conflito:/ - meu corpo é feito de terra, - meu coração, de infinito.”
A obra de Eno Theodoro Wanke é extensa e variada. Eis as principais: “NAS MINHAS HORAS” (poesia, 1953), “MICROTROVAS” (1961), “OS HOMENS DO PLANETA AZUL” (sonetos, 1965), “OS CAMPOS DO NUNCA MAIS” (poesia, 1967), “VIA DOLOROSA” (sonetos religiosos, 1972), “A TROVA” (estudo, 1973), “A TROVA POPULAR” (estudo, 1974), “A TROVA LITERÁRIA” (estudo, 1976), “REFLEXÕES MAROTINHAS” (pensamentos humorísticos, 1981), “VIDA E LUTA DO TROVADO RODOLFO CAVALCANTE” (biografia, 1982), “A CARPINTARIA DO VERSO” (didática da metrificação, 1982, 1989, 1990 e 1994), “DE ROSAS & DE LÍRIOS” (minicontos, 1987), “O ACENDEDOR DE SONETOS” (líricos, 1991), “ALMA DO SÉCULO” (sonetos, 1991), “FÁBULAS” (1993), “ADELMAR TAVARES, UM TROVADOR AO LUAR” (biografia, 1997), “ANTOLOGIA DE SONETOS SOBRE A TROVA” (1998), “CONTOS BEM-HUMORADOS” (1998), “FARIS MICHAELE, O TAPEJARA” (biografia, 1999), “ELUCIDÁRIO MÉTRICO” (metrificação, 2000) e “APARÍCIO FERNANDES, TROVADOR E ANTOLOGISTA” (biografia, 2000).
O escritor transitou do CLÁSSICO ao MODERNISMO com elegância e competência, passando pelo lirismo, romantismo, parnasianismo, às vezes até irreverente como no caso de “NESTE LUGAR SOLITÁRIO” (a trova em grafitos de banheiro, 1988) e “ANTOLOGIA DA TROVA ESCABROSA” (1989), aderindo, de forma brilhante ao TROVISMO, desde o seu primeiro momento, em 1950, tornando-se um dos maiores propagadores e historiadores do Movimento da Trova Brasileira.
ENO THEODORO WANKE foi um escritor exuberante, multiforme e polivalente. Alguns CLECS (pensamentos humorísticos) de ENO, selecionados por ELMAR JOENCK, publicados em 1998: “Quando um adjetivo mente, ele, por castigo, vira advérbio. Folha que se desprende da árvore não volta nunca mais. Melhor perder o trem do que perder a linha. O sol nasce para todos. Mas a maioria prefere dormir um pouco mais. Um tolo inteligente não fala, que é para não revelar sua condição”. Organizou e participou ao lado do Trovador Clério José Borges de Sant’Anna, dos Seminários Nacionais da Trova, no Estado do Espírito Santo, organizados pelo CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS, de 1981 a 1999. Recebeu o título de Cidadão Espírito-santense, conferido pela Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo. Faleceu a 28 de maio de 2001, deixando livros e livrotes que ultrapassam 1000 títulos.
Está presente em várias obras de Aparício Fernandes, entre outras: “NOSSAS TROVAS”, 1973; “NOSSOS POETAS”, 1974; “POETAS DO BRASIL”, 1975; “ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL”, 1976, 1977, 1978, 1979, 1980 e 1981; “NOSSA MENSAGEM”, 1977; “ESCRITORES DO BRASIL”, 1979, 1980. Participou também das “COLETÂNEAS DE TROVAS BRASILEIRAS”, organizadas pelo Trovador Fernandes Vianna, Recife, PE. Verbete de inúmeras obras literárias, entre outras: ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa, edição do MEC, 1990, edição revista e atualizada por Graça Coutinho e Rita Moutinho Botelho, em 2001.




BIBLIOGRAFIA:
À Sombra dos Versos em Flor/Poesia Completa/vol. 1 – Eno Theodoro Wanke – Edições Plaquette – RJ – 2000.
Anuário de Poetas do Brasil/vol. 1 – Aparício Fernandes – Folha Carioca Editora Ltda. RJ – 1980.
Clecs de Eno Theodoro Wanke, selecionados por Elmar Joenck – Edições Plaquette – RJ – 1998.
Enciclopédia de Literatura Brasileira – Afrânio Coutinho, Fundação de Assistência ao Estudante - MEC, RJ - 1990.



filemon.martins@uol.com.br
filemonmartins@bol.com.br "



ENO TEODORO WANKE

Eno Teodoro Wanke, sua
vida, sua obra.
Biografia de Eno Teodoro Wanke,
por Therezinha Radetic
Editora CODPOE
Rio de Janeiro 1980
&
Antologia de Sonetos
Sobre a Trova
Eno Teodoro Wanke
Edições Plaquete
Rio de Janeiro 1998
&
O TROVISMO
Primeiro Movimento Literário
Genuinamento Brasileiro
Eno teodoro Wanke,
Cia Brasileira de Artes Gráficas
Rio de Janeiro 1978
&
NÓS,
OS TROVADORES
Eno Teodoro Wanke,
EDitora CODPOE
Rio de Janeiro 1991
&
Neste Lugar Solitário
Eno Teodoro Wanke
Editora CODPOE
Rio de Janeiro 1988
&
A Trova Literária
 Eno Teodoro Wanke
Folha Carioca Editora
Rio de Janeiro 1976
*
Encontrei dois recortes de jornal ao acaso na internet com trovas de Eno Teodoro Wanke e diversos outros:



**
Reuni aqui algumas obras de Eno Teodoro Wanke com o objetivo de dar uma amostra da produção desse mestre. Abaixo seguem alguns links para um pouco de conhecimento da grandiosidade desse líder inconteste do Movimento Trovadorístico Brasileiro. 
Falando de Trovas
http://falandodetrova.com.br/mag2_enowanke 
&
Projeto ELMCIP
https://elmcip.net/person/eno-teodoro-wanke 
&
Usina de Letras
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=7644&cat=Ensaios&vinda=S
*

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Maria Nascimento/Elton Carvalho * Antonio Cabral Filho - RJ

Élton Carvalho





*
Élton Carvalho

"Élton Carvalho nasceu em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, no dia 29 de agosto de 1916. Casou-se com a Trovadora Maria Nascimento Santos Carvalho em 29 de julho de 1969, com quem viveu até a morte.
 Iniciou sua carreira militar na Arma de Infantaria do Exército Brasileiro e, graças aos seus esforços e dedicação, pode encerrar a carreira como General-de-Divisão, depois de permanecer na ativa por mais de quatro décadas. Exerceu por muitos anos, a função de Professor Catedrático de Filosofia, no Colégio Militar. 
A partir de 1970, ingressou, como Professor, na Escola Superior de Guerra, tendo realizado mais de 100 Conferências em todo o território nacional. Em 1983, Élton reformou-se.
Filiado à UBT - Rio de Janeiro, detinha o título de "Magnífico Trovador" em Nova Friburgo, sendo um nome conhecidíssimo no movimento trovadoresco, principalmente por seus livros de humor. Faleceu no Rio de Janeiro, em 03 de março de 1994.
Obras:
Mestre na difícil modalidade trovas humorísticas, Élton produziu dois livros exclusivamente com trovas de humor: "Sogra, Coroa, Bebida e outras bombas" (1974) com 200 trovas e "Sogra & Outras Piadas" ( 1993 ) com 250 trabalhos. Além disso, publicou também: "Instantâneos" (1973), com 200 trovas líricas e filosóficas; "Ciranda de Sonhos" (1979), com 200 trovas líricas e filosóficas; "Aquarelas"(1981) com 500 trovas líricas e filosóficas; "Rosas na Pedra" ( 1984 ) com 40  poemas e 25 sonetos. E um mini romance: "A História do Sapateiro". Deixou inéditos vários livros. "
Neste ano de 2017 Élton Carvalho completa 101 anos de nascido e dado a humildade dos meus recursos, tudo que posso fazer para homenagear este vate da trova brasileira é transcrever aqui a seleção de trovas do seu imenso manancial feita por sua estimada esposa Maria Nascimento para que nossos amigos leitores possam conhecer um pouquinho de sua verve:

Vem, palhaço, sem tardança,
com teus trejeitos, teus chistes, 
e acorda a alegre criança
que dorme nos homens tristes...
*
Jamais estrelas persiga
quem não alcança a amplidão,
que o mérito da formiga
é achar migalhas no chão.
*
Minha sogra não reclama
do bom trato que lhe dou.
Até de filho me chama
- Só não diz que filho eu sou.
*
Fazer biquíni ela sabe,
mas o próprio faz tão mini
que eu não sei como é que cabe
tudo "aquilo" no biquíni...
*
Em que infinito se esconde
esse Deus tão grande assim?
E minha fé me responde:
- Não se esconde. Mora em mim!
*
Deus, num requinte de zelos,
em milagroso improviso,
pôs a noite em teus cabelos,
e a aurora no teu sorriso.
*
Angústia é mágoa, é desgosto
que transparece no olhar
e mostra o pranto no rosto
dos que não sabem chorar.
*
Dá-me outro inferno ao morrer,
mas não me curvo a Teus pés...
Se não me deixaste ver,
não quero ver  quem Tu és!
*
Ele enrolava, enrolava,
e a enrolação era tanta
que, às vezes, quando falava
sentia um nó na garganta.
*
Pelos abismos profundos,
nos confins da Terra imensa,
no mais distante dos mundos,
DEUS é a infinita presença!
*
A ventura, às vezes, mente:
promete que vem, insiste,
e marca encontro com a gente
na esquina que não existe!...
*
Se há casa comercial
que engana o freguês à beça,
a drogaria é legal:
vende "drogas" mas confessa.
*
Porque a verdade transpira
e nos mostra a realidade,
jamais o véu da mentira
esconde a luz da verdade!
*
Doces visões do passado:
meu pai, irmãos, minha irmã e
- e aquele jeito encantado
de tudo de minha mãe!
*
Subindo o morro cansado,
quase pedindo socorro,
foi que eu vi porque é chamado
aquele troço de...MORRO!
*
Para fugir às rotinas,
na esperança de mudar,
cansei de dobrar esquinas
e dar no mesmo lugar.
*
De barro, Deus fez o homem,
da costela, uma mulher.
- E as sogras, que nos consomem,
fez de um espeto qualquer...
*
Trocador... Triste ironia,
não troca o que lhe convém:
se trocasse, então, iria
trocar a vida que tem....
*
Num milagroso improviso,
com seu divino pincel,
Deus pintou o paraiso
quando fez Vila Izabel!
*
Num cego, as palavras boas
calam bem mais do que em nós,
que o cego julga as pessoas
pelo que mostram na voz...
*
Genro é minha distração,
que pena ter dez, somente.
Eu queria uma porção:
genro distrai tanto a gente...
*
Conservando a imagem bela
de um amor que não se esquece,
a saudade é uma aquarela
que nem o tempo esmaece...
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A proveta não gerou,
e um doutor meio zureta
fez exame e constatou:
menopausa... de proveta!
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Na solidão que me arrasa,
órfão de amor e carinho,
enchi de espelhos a casa
pra não me sentir sozinho.
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Zé, que faz a comida,
lava a roupa, se arrebenta,
diz: não aguento esta vida!
E a sogra, rindo, diz: GUENTA...
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Servir tem sido o meu fado:
já balizei tantas rotas
e, hoje, farol apagado,
sirvo de pouso às gaivotas...
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Só num trabalho fecundo,
semeando amor, poderemos
construir um novo mundo
melhor que o mundo que temos!
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A esperança, como a vaga,
insistente, não se cansa:
se uma esperança se apaga,
se acende nova esperança!
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Coitadinha, está zureta
e anda triste por aí...
deu um grilo na proveta
e o bebê só faz cri-cri!
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Sentem os rudes e os sábios
- menos os pobres ateus - 
que a prece é a alma nos lábios
quando se fala com Deus.
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Não me agradeças, amigo,
porque te auxilio assim...
Apenas faço contigo
o que farias por mim!
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É triste vê-las, meninas,
restos de infância na face,
vendendo amor nas esquinas,
como se amor se comprasse...
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Fui pescar com meu vizinho,
mas, logo que pus a vara,
veio um cavalo marinho,
me deu um coice... na cara!
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A sorte, como as rendeiras,
tem seu labor persistente,
com suas mãos feiticeiras,
tece o Destino da gente...
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Diz o velho, com ternura,
depois de um beijo que espoca:
- meu bem, minha dentadura
não ficou na sua boca?
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Do cortejo pequenino,
da pracinha e o chafariz,
restam restos de um menino
que sonhava ser feliz...
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Na hora da confusão
minha sogra é sempre assim:
nem sabe quem tem razão
solta os cachorros em mim!
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Quem perdeu amor recente
e se recente de amor,
se apega à cinza mais quente,
porque sente algum calor...
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Solidão - a alma embotada
velando a própria agonia.
Uma cadeira ocupada
ao lado de outra vazia...
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Levando a esperança ao mundo,
ao sair da Santa Sé,
tornou-se Paulo Segundo
o Peregrino da Fé!
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A mulher do cabra tem
apelido de "jangada"
porque ela, às vezes, não vem,
ou volta ... de madrugada.
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Socorre, irmão, no caminho,
teu irmão que nada tem...
Não existe irmão sozinho:
todo irmão é irmão de alguém!
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Tu sempre estavas PREsente
e AUsente, querida, estás,
- UMA SÍLABA somente
que diferença que faz!
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Seguindo um rumo impreciso
que o nosso destino tece,
cada dia é um improviso
que a vida nos oferece.
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Fui ver a fonte falada
que jorra no pé do monte,
e, ao ver você debruçada,
vi tudo ... e não vi a fonte!
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