terça-feira, 19 de junho de 2018

Seleta de Trovas * José Feldman - Pr


Seleta de Trovas


José Feldman - Pr
*
Informe Biográfico
&&&
José Feldman nasceu em São Paulo/SP, em 1954. Em 1995 casou-se com a escritora e tradutora, professora de literatura inglesa Alba Krishna Topan e mudou-se para o Paraná em 1999, onde foi, pela União Brasileira dos Trovadores, Delegado de Ubiratã, auxiliar de delegado em Arapongas/PR e membro da UBT Maringá. Radicou-se em Maringá/PR, onde mora atualmente. Foi premiado em alguns concursos de trovas, como Ribeirão Preto, Nova Friburgo, Curitiba, Santos, etc. Escritor, poeta, trovador, gestor cultural, orientador, criou o blog http://singrandohorizontes.blogspot.com.br em 2007, e http://florilegiodetrovas.blogspot.com.br, em 2016. Idealizador e editor dos ebooks Chuva de Versos com mais de 400 números, O Encanto das Trovas, Florilégio de Trovas, Oceano de Letras e O Voo da Gralha Azul. 
 Pertence a diversas academias de letras, foi vice-presidente da Associação de Literatos de Ubiratã e presidente estadual do Paraná da Academia de Letras do Brasil, medalha de mérito cultural Euclides da Cunha da Academia de Letras em Berna/Suiça e membro desta Academia, Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, acadêmico correspondente de Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG, Academia Formiguense de Letras/MG e Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura. Membro de Sociedade Mundial de Poetas, Unión Hispanomundial de Escritores, Casa do Poeta Lampião de Gaz.
Medalhas de Mérito Cultural da Academia Pan Americana de Letras e Artes; Mérito Cultural da Academia Brasileira de Trovas; Medalha Heitor Stockler de França, da UBT Paraná; Prêmio “Mahatma Ghandi”, de Liderança pela Paz, da Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura e título de Doutor em Filosofia Universal “Honoris Causa” da Academia de Letras do Brasil.
        Livro publicado na Coleção Terra e Céu, em 2016 com suas trovas e de seu mestre Izo Goldman. Participação com poesias na Edição comemorativa de 35 anos do Movimento Poético em São Paulo; Café com Letras, da Academia de Letras de Teófilo Ottoni/MG; Coletânea dos Poetas de Maringá - IV. Crônica em coletânea organizada por Isabel Furini, de Curitiba. Prefácio em livros de Isabel Furini e Átila José Borges. Trovas em livros “Paraná em Trovas” de Vânia Ennes, de Curitiba e do livro Meus Irmãos os Trovadores, vol.II, da União Brasileira dos Trovadores Nacional. Referência no livro A Trova, de Carolina Ramos, e em boletins nacionais. Seu nome foi citado nos Anais da Academia de Letras Maçonicas.  Livro “Canteiro de Trovas” com cerca de 300 trovas de sua autoria.

1
A esperança é uma auriflama,
vibrando no coração...
Um divino pindorama
que emerge de nosso chão.
2
A felicidade é um dom,
que todos podemos ter,
se o carinho for o tom,
e a melodia… o viver.
3
A Gralha Azul quando voa
espalhando o seu pinhão,
com a semente abençoa
cada canto deste chão.
(3º. lugar – XVIII Jogos Florais de Curitiba, 2015 –
Âmbito Estadual, NT)
4
A inveja é uma erva daninha,
destrói as boas ações.
É uma vontade mesquinha
que domina corações.
5
– A grana...pode me dar...
– Já vi que é um ladrão cortês...
Não dá pra você pegar
só no final do outro mês?
(Menção Honrosa – LVI Jogos Florais de Nova Friburgo/RJ, 2015, Âmbito Nacional)
6
Ah, se eu fosse um construtor!...
Eu faria estradas novas,
incrustadas com amor,
pelo chão... milhões de trovas!
7
Ajudar uma pessoa,
pensando mais do que em si
é praticar ação boa
preciosa qual rubi!
8
A maior lição que a vida,
pode nos oferecer:
– Após cada despedida,
há sempre um amanhecer…
9
Amar!… Amar pode ser
que pecado não o seja,
mas amor sem florescer,
é sofrer dura peleja.
10
A minha trova é um lamento,
por dias que não virão.
Amor ceifado no vento,
arrancado sem perdão!
11
A minha vida é um navio,
que navega em pleno mar...
Ora contra um mar bravio,
ora em mero devanear.
12
Amor… dois copos de vinho
são nossos dois corações,
cujo sabor é o carinho
transbordando de emoções!
13
Amor! És qual uma rosa,
cuja corola ao se abrir,
exibe a mulher formosa.
que é o meu mais doce elixir!
14
A mulher me deixa rouco,
Pois. quando grito que a adoro,
ela sai...e eu fico louco!!!
Não sei se rio...ou se choro!...
15
A mulher se faz presente
todo instante com fervor.
Carrega em si a semente
que planta um mundo de amor.
16
A música me entorpece,
e me faz devanear.
A melodia enternece…
com um amor faz sonhar!
17
A natureza se esmera
com flores, beleza infinda,
ao espargir nossa quimera
qual uma benção... benvinda!!!!
18
Andei por todos os cantos,
em busca de uma quimera.
Mas, encontrei desencantos,
e a tristeza à minha espera..
19
Ao fazer uma mudança,
muitas caixas a embalar.
Eram tantas...que festança!
Numa delas fui parar...
20
Ao olhar pela janela,
os passarinhos cantando,
a saudade se rebela
e a tristeza vem chegando.
21
Ao seguir, no trem da vida,
parei nas encruzilhadas.
buscando a paz merecida...
Enganei-me!...Eram fachadas.
22
Após tantas despedidas,
são tantos os reencontros,
que nas emoções vividas
dissipam-se os desencontros…
23
Após dias de trabalho,
já chegando o anoitecer,
me aconchego num carvalho,
para em paz adormecer.
24
A saudade é dor pungente,
tão  terrível como o açoite,
a açoitar a minha mente,
seja manhã, tarde ou noite.
25
A saudade me avassala,
noite e dia são iguais,
a tristeza não se cala...
sozinho, me afundo em ais.
26
As flores estão voltando,
colorindo tudo... Enfim,          
é a Primavera chegando,
perfumando o meu jardim!
27
As trevas se dissiparam,
quando apareceu a luz,
que todos abençoaram,
bendito nome… Jesus!
28
A vida é pura beleza,
isto eu não posso negar.
Porém, a maior grandeza,
é a seiva do verbo amar.
29
A vida, seja qual for,
é árvore cujos galhos,
têm folhas de riso e dor,
penduradas qual retalhos.
30
A vida, quando pintada
tal qual aquarela, em cores
é quimera deformada
por múltiplos dissabores!
31
Cada lágrima vertida,
num instante em desalento,
tem um quê de despedida…
Um coração ao relento!
32
Cada livro, nova história...
Cada folha, novo ardor...
e, no final, a vitória
se for enredo de amor!
(Menção Especial – XVI Jogos Florais de Santos/SP, 2014 – Âmbito Nacional)
33
Cada qual é diferente
com seu modo singular,
com todos, seja indulgente,
saiba aos outros respeitar.
34
Cada trova que, hoje, faço,
cada verso que componho,
é qual fosse um grande laço
para amarrar o meu sonho…
35
Cada um tem o seu sonho...
no sonho tem seu amor.
O amor faz alguém risonho...
Não eu...pois só tenho a dor!
36
Cada verso que componho,
carrega em si um apelo:
– Faça a minha vida um sonho,
que até hoje é um pesadelo!
37
A caminho do horizonte,
quis a minha dor levar,
lá, encontrei uma fonte,
mas, sem água a me aliviar.
38
Caminhei por esta rua
procurando o teu calor.
Ontem, eu quis dar-te a lua,
hoje, dou-te o meu amor!
39
Campos do Jordão, encerras
com encanto sem igual,
famosos em tuas terras,
os festejos de Natal!
40
Chega o Natal e há partilha
de amor, de paz, de harmonia...
E o céu inteirinho brilha,
com seu manto de alegria!
41
Cinquenta reais por ponto...
e ao mestre ele deu quinhentos.
Da propina, houve um desconto:
- Nota dois... e os quatrocentos!!!
(1º. lugar – XXVIII Jogos Florais de Ribeirão Preto/SP, 2015 – Âmbito Nacional)
42
Confetes e serpentinas.
este é o nosso carnaval...
Depois...quantas Colombinas
jogadas no matagal!!!
43
- "Coração amargurado,
porque choras sem parar?
Se tu queres ser amado,
vai outro amor procurar!"
44
Coração aprisionado!…
A sua beleza e encanto
me deixou hipnotizado…
e eu não sei se choro ou canto.
45
Cultivemos o jardim
do amor, com perseverança,
para que seja o estopim
de um futuro de esperança.
46
Debruçado na janela,
eu vejo o tempo passar.
Saudade que me flagela,
por quem não irá voltar.
47
Delícia é festa junina...
tem vinho quente e rojão.
Não vou sair da cantina.
Viva São Pedro e São João!
48
De perguntas somos feitos,
mil respostas sem saber...
Somos seres imperfeitos,
buscando outro amanhecer.
49
Desejo que toda a trova,
com os seus versos sem par,
brilhe qual a lua nova,
numa noite, ao despontar!
50
De sonhos somos moldados,
sobre a forja da esperança...
Emitindo nossos brados
ao futuro... nossa herança!
51
De tantos sonhos insanos
e anseios por seu amor,
restaram só desenganos
e o triste perfil da dor!
52
Deus! Se podes atender
este pobre trovador,
por amor a padecer,
que aplaques a minha dor!
53
Difundindo sua história,
o gaúcho, a tradição,
o MTG tem a glória
que enaltece este rincão.
54
Dizia um velho ditado,
“quem espera sempre alcança,”.
Esperou… ficou cansado,
O que era? – Nem tem lembrança!
55
Doar-se de boa vontade
e sempre ajudar alguém...
é crer na fraternidade,
praticando sempre o bem.
56
Doce flor que desabrocha,
perfumando seu cantinho
envolvendo toda rocha
com doçura e com carinho.
57
É a Páscoa, divino dia!…
Tempo de consagração:
– Alma em eterna alforria,
mãos postas em louvação!
58
Em cada verso, a emoção...
em cada linha, o carinho...
Faço a trova..e é o coração
que me conduz no caminho.
59
Em meio a livros, cresci…
cada folha, uma ilusão…
Mas veio um vento, e não vi,
jogou as folhas no chão…
60
Em meu jardim há uma rosa,
cujo aroma me inebria,
torna a vida gloriosa,
dissipa a melancolia.
61
Em nome da evolução,
o homem, sem pestanejar,
as árvores põe ao chão,
deixando as aves sem lar!
62
Em verdade, é uma ousadia,
tentar realizar um sonho:
Dando ao universo poesia,
fazendo o mundo risonho.
63
Envolvi-me em teus abraços,
em busca do teu carinho.
Hoje, longe dos seus braços...
Só saudade em nosso ninho!…
64
Era uma noite estrelada
quando o meu amor partiu...
e mirando a madrugada,
vi que o meu sonho ruiu!...
65
Esta é uma terra abençoada!
Povoada por brava gente,
tem a Gralha Azul, sagrada,
glória de um povo valente.
66
Esta saudade maltrata
este pobre trovador,
que é mero nefelibata,
que anseia por teu calor.
67
É um ensaio a minha vida,
rumo ao sonho, no porvir:
– Muitas vezes, bem vivida…
– Outras, um mero existir!…
68
Eu possuo um grande afeto,
por algumas trovadoras.
Muitas vezes, encasqueto,
mas... são eternas mentoras!
69
Eu sinto a fé me envolvendo,
sempre que eu consigo ver
a esperança renascendo,
em um novo amanhecer!
70
Eu vivo num picadeiro,
no trapézio desta vida,
com a força de um guerreiro,
enfrentando a minha lida.
71
Existem ódios fecundos,
de um irmão contra outro irmão,
cravo e rosa, moribundos
espalhados pelo chão.
72
– Falar dela?! … Que bobagem!
Quero, de onde ela estiver,
que ela ouça esta mensagem:
– És uma deusa… mulher!
73
Feito um filme de cinema,
ao fitar a tua face,
te dediquei um poema
de amor...que agora renasce!
74
Felicidade é uma flor,
que exala ao desabrochar,
no mundo, onde existe amor,
divino perfume no ar!
75
Feliz, soltei um rojão…
que subiu num rodopio.
Socorro! Oh, meu São João!
Fiquei preso no pavio.
76
Fiz de você minha musa
minha vida e coração…
meu pijama, minha blusa…
a tábua de salvação.
77
Foi na Fonte do Suspiro,
que te dei meu coração...
pois é lá, onde eu me inspiro,
ao compor uma canção!
78
Foi num beijo prolongado,
que a "coroa" se entregou..
Em meu lábio pendurado,
a dentadura ficou.
79
Foi um beijo apaixonado,
que te dei na despedida…
Hoje… triste, abandonado,
eu choro a tua partida.
80
Foram feitos tantos planos…
– fé por um mundo melhor.
Passam dias, meses, anos,
e tudo ficou pior.
81
Foram felizes instantes...
Juventude na querência…
Hoje em terras tão distantes…
Pilcha... mate... sinto ausência.
(Trova Destaque – IV Jogos Florais de Cruz Alta/RS, 1992 – Âmbito Nacional)
82
Gralha Azul, qual fazendeiro
semeando o seu pinhão.
faz nascer mais um pinheiro,
construindo esta nação!
(11º. lugar – XVIII Jogos Florais de Curitiba, 2015 – Estadual, NT)
83
Hoje, a saudade me envolve
e me cobre com seu manto...
Meu coração se dissolve,
implorando o teu encanto!
84
Independência... que eu sei,
tem a ver com liberdade,
entretanto, eu me enganei...
não é a nossa realidade!
85
Ir morar no paraíso...
viver qual bem lhe convier...
é como rir sem sorriso,
se não tiver a mulher.
86
Jardineira... a flor do amor
regaste nos meus canteiros.
Hoje, te dou meu calor
na alameda dos pinheiros!
87
Já singrei os horizontes,
rios, terras e até mares.
Procurei em muitas pontes,
nunca achei os teus luares...
88
Jogadores afamados,
mergulhados no dinheiro...
Tantos outros, desprezados...
deitados... sem travesseiro!
89
Juntos, no alto da montanha…
num “Dia dos Namorados”.
Oh! Que dor! Era patranha,
pois vivemos separados.
90
Lá vêm as festas juninas…
têm tantos foguetes no ar.
Por todo o lado, meninas,
mas ninguém pra namorar.
91
Maringá! És altaneira
pelos teus belos Florais.
Beleza e encanto!… Bandeira
alçada entre os imortais!
92
Meu amor tem duas vias...
que me matam pouco a pouco :
– Numa delas... duchas frias
mas, em outra... um amor louco!
93
Meu coração em pedaços!…
Eu tive um céu estrelado,
tive a esperança em meus braços
e brisa de apaixonado!
94
Meu coração está cheio
de carinho para dar.
Eu vivo em profundo anseio,
por alguém que possa amar.
95
Meu grande amor pela trova,
é um espelho transparente,
é um amor que se renova,
mudando a vida da gente!
96
Meu jardim era florido!
Veio uma chuva e o arrasou...
Sobrou só um cravo ferido,
que o amor, de herança, deixou!
97
Meus livros são qual coelhos...
Eles não findam jamais.    
Meus olhos estão vermelhos!
- Acabou? - Meu Deus! Têm mais!
98
Minha saudade é uma tocha…
e a fagulha de meu verso,
lembra uma flor, desabrocha
perfumando o universo.
99
Minha vida é igual as folhas
que o vento leva pelo o ar…
não perco tempo em escolhas,
deixo o vento me levar!
100
Minha vida, igual a um pão...
necessita da manteiga,
que acalme o meu coração,
qual o som de uma voz meiga!!!

***

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Nilci Guimarães Via Trovas * Antonio Cabral Filho - RJ

Nilci Guimarães
Nilci da Silva Guimarães
...

TROVAS
&&&

Guarda no olhar a doçura
com que me embalou um dia.
Mãe lembra sempre a figura
e a ternura de Maria.
&
Toda criança constrói
um mundo feliz, sem medo.
Foste, pai, o meu herói
do meu mundo de brinquedo.  
& 

Com ódio, o homem na Terra,
a tudo faz e desfaz ...
Que bom, se ao invés de guerra,
pensasse apenas na Paz!
 &
Não lastimes tua sorte.
Olha que, ao teu derredor,
há quem se faça de forte
e sente dor bem maior...
 (co-vencedora UBT Rio de Janeiro  - 1980)
&
Tua beleza, Maria,
tem o dom de confundir:
- Nem artista poderia
mesmo em bronze te esculpir!
 &
Eu sinto febre, querido,
estou enferma – é verdade.
Meu coração mal-ferido
sofre a dor de uma saudade...
 &
Minha tristeza, meu pranto,
um dia irão fenecer.
E, nesse dia – garanto –
passarás a me querer...
 &
Foi amor de três semanas
e não mais – foi curto assim:
Contudo, tu não me enganas,
sei que ainda gostas de mim.
 &
Vai, seresteiro, em teu canto
levar a todos o amor,
qual prece rezada a um santo
quando em momento de dor.
 &
Minha alegria não pára... 
Mas, se não pára é porque
a alegria, que é tão rara,
vem juntinho de você.
 &
A alegria foi-se embora
quando se foi seu carinho.
E chega em meu peito agora
a saudade, de mansinho... 
***

***
Informe Biográfico

"

 Nilci Guimarães é o nome poético de Nilci da Silva Guimarães, nascida em 06 de março de 1949, na cidade do Rio de Janeiro; filha de Carlos da Silva Guimarães Júnior e Nilza Bruno Guimarães. 
Foi professora da Rede Municipal de Ensino e, após cursar Pedagogia e Mestrado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro- UERJ -  passou a exercer a função de Supervisora nas escolas públicas municipais e, pelo seu brilhante desempenho, foi requisitada para trabalhar na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, coordenando, orientando e apoiando o trabalho pedagógico da rede.
Prestando concurso para a Universidade Federal do Rio de Janeiro - UNI-RIO, foi aprovada, em primeiro lugar, passando a lecionar naquela universidade, tendo sido homenageada por várias turmas de formandos, para as quais foi escolhida como paraninfo. Muito querida pelos alunos, foi um dos poucos professores homenageados, quando do aniversário de 80 anos da Escola de Muselogia da Universidade, tendo a honra de receber uma medalha por excelentes serviços prestados à Escola.
Exerceu, por dois mandatos consecutivos, a função de Pró-Reitora de Graduação, até desencarnar precocemente em 04 de agosto de 2010.
Trovadora premiada em diversos concursos, pertenceu aos quadros da União Brasileira de Trovadores - UBT-.


Não encontrei o caderno de poesias dela. Acho que escafedeu-se na mudança.


Ela não tinha ainda muitas trovas, mas tinha inclusive algumas premiadas.
Só me membro de duas:


Imagem não há mais pura,
Esse encontro me enternece.
As mãos postas, com ternura,
na comunhão de uma prece.


As dores e os desencantos 
das mágoas de amor, sofridas,
são mais doridas que os prantos
das últimas despedidas...

"

Referências
***

ADEUS A NILCI

http://www.falandodetrova.com.br/adeusnilci 
José Feldman - PR
https://nuhtaradahab.wordpress.com/category/trovas/page/72/
José Feldman
https://singrandohorizontes.blogspot.com/2012/05/ciranda-de-trovas-mae-parte-2-final.html

Fotos: 
Arquivo da família gentilmente cedidas por Narli Guimarães, que nos honrou com o informe biográfico.
*

terça-feira, 5 de junho de 2018

Carlos Guimarães: Trovas Etc * Antonio Cabral Filho - Rj

Carlos Guimarães: Trovas Etc
Canto, feliz, para quem
é meu Sol de Primavera
e, em suas mãos, hoje, tem
CANTIGAS QUE ALGUÉM ESPERA.
1 - Trovas
Ponho nas trovas amigas
um pouco do meu viver,
por isso, chamo-as CANTIGAS,
CANTIGAS DE BEM-QUERER.
&
À minha trova imperfeita
somente um destino almejo:
- pra tua boca ser feita,
como foi feito o meu beijo.
&
A tua mão carinhosa,
quando me vem afagar,
lembra a ternura da rosa
desabrochando ao luar...
&
Ai amor, que me fugiste
e deixaste tantas mágoas!
Sou, hoje, um salgueiro triste
chorando à beira das águas...
&
As coisas simples, pequenas,
bem pode o Amor transformar:
- eu dei-te uma casa, apenas,
dela, tu fizeste um Lar!
&
Ao desespero me entrego...
Choro tanto, tanto, tanto,
que receio ficar cego:
- olhos desfeitos em pranto...
&
A mais triste das notícias
tu me dás com tanta graça,
por entre tantas carícias,
que a tristeza vem ...e passa.
&
A ternura do meu beijo,
em vão, ocultar procura,
este meu louco desejo
de beijar-te sem ternura.
&
A tua mão, que transforma
pesares meus em ventura,
é uma flor de estranha forma,
toda feita de ternura.
&
A Estrela D'alva perdida
no céu, em plena alvorada,
é uma lágrima vertida
dos olhos da madrugada.
&
As roseiras tão vaidosas,
quando me vens visitar,
deitam pétalas de rosas
nas pedras que vais pisar.
&
A prece que tu fizeste,
mão unida à minha mão,
se não foi ao Pai Celeste,
entrou no meu coração.
&
As velas pandas ao vento...
Doidas gaivotas pelo ar...
Você no meu pensamento...
E, entre nós dois, esse Mar...
&
A tua boca perfeita,
que tem do pecado a cor,
parece, amor, que foi feita
para os meus lábios de amor...
&
Beijo teu beijo na rede,
com repassada ternura,
como quem sacia a sede
numa fonte de água pura.
&
Contra a tua ingratidão,
transbordando indiferença,
meu remédio é a solidão,
meu refúgio é minha crença.
&
Cantando canções antigas,
a serenata me encanta
porque repete as cantigas,
que a minha saudade canta...
&
Chora, amor, que o pranto encerra
lenitivo à alma ferida:
depois da chuva é que a terra
se apresenta mais florida...
&
Deus que te deu tanta graça,
que te fez linda e faceira,
espero, amor, que te faça
minha eterna companheira.
&
Devo tudo quanto sou
e a Vida me concedeu,
à mãe que Deus me levou
e à mulher que Ele me deu.
&
Desfaz-se a flor, mas, no galho,
deixa em pétala singela,
uma lágrima de orvalho,
que a noite chorou por ela.
&
Deixei-te, amor, e não sei
como aquilo aconteceu,
pois nunca mais encontrei
outro beijo igual ao teu...
&
Devo a essa boca vermelha
ser o escravo que, hoje, sou:
foi o teu beijo a centelha,
que o meu peito incendiou!
&
Eu sou feliz - bem ou mal -
crendo nas tuas promessas,
porque a Esperança, afinal,
é uma Saudade às avessas.
&
Ela se vai... Eu aceito
o adeus com tranquilidade
e o céu da distância enfeito
com estrelas de saudade...
&
Eu tenho quatro vizinhas,
- que santas meninas são! -
à sua porta, às tardinhas,
há homens em procissão...
&
... *
Alguma Fortuna Crítica
1
"acabei de ler tuas CANTIGAS. Primeiro, re-agradeço a gentileza da oferta. Segundo, alegrei-me, também, pelo reencontro. Por último, me regalei  com tanta trova boa.
João Felício dos Santos
Rio de Janeiro - RJ/Junho de 1978"
2
"Suas trovas, carregadas de imagens simples e profundas, perpetuam, na mente dos leitores, os "cromos eternos" de cultura e lazer. É uma lição para todos nós.
Nilton Manoel 
Diário da Manhã - Ribeirão Preto - SP/outubro de 1978"
3
"(...)O livro, como não poderia deixar de ser, está ótimo. Franciscaníssimo! - nome do autor em minúsculas, sem prefácio, dispensando tudo o que de verdade poderia ser dito e deixando que a qualidade falasse por si mesma(...)
Carolina Ramos - SP
"
2 - Poemas

2.1 Poemas

Maria Fumaça
-soneto-

Ei-la resfolegante... A serra vai subindo...
E silva, e geme, e  range, e, cansada, estertora...
Parece vai parar... Mas, logo, sem demora,
num esforço final, vai seu rumo seguindo...

Transpirando vapor, chega à planície e, agora,
vai, pachorrentamente, os trilhos deglutindo...
Lança chispas de fogo, e as chispas vão caindo,
num chuveiro de luz, pelo caminho a fora...

E, sozinha, transporta a Maria Fumaça,
nos vagões entulhados e cheios de gente,
do progresso a semente, aos confins do país...

E esse monstro de ferro, a silvar quando passa,
parece que tem vida e um coração fremente,
que vibra emocionado e palpita feliz!...

...

3 - Resumo Biográfico

Carlos Guimarães é o nome literário de Carlos da Silva Guimarães Júnior, nascido na cidade do Rio de Janeiro em 22 de outubro de 1915, sendo o primogênito do casal Ermelinda Conceição Guimarães e Carlos da Silva Guimarães.

Casou-se, em 1938, com Nilza Bruno Guimarães. Da união, nasceram três filhas. 
Da esquerda para a direita:
 Carli, desconhecido, Narli, Carlos e Nilci.



Adilson Rainha, 
co-elaborador do livro Rumos diVERSOS, em companhia da esposa Narli, única filha viva de Carlos Guimarães.
*
Vida Profissional

CARLOS GUIMARÃES
  é Engenheiro Arquiteto formado no ano de 1945 pela Faculdade Nacional de Arquitetura, da Universidade do Brasil. 

Exerceu suas atividades profissionais na Estrada de Ferro Central do Brasil - EFCB, da Rede Ferroviária Federal S.A., admitido que foi como aprendiz-aluno  da Escola Profissional Silva Freire. Foi, mais tarde, Professor de matemática e desenho daquela Escola, Colégio Ateneu Brasileiro e Colégio Piedade, entre outros, chegando à função de Assistente do Departamento de Ensino e Seleção da EFCB.

Classificado como Engenheiro, em 1957, exerceu outras funções de chefia, tais como: Assistente dos Departamentos de Patrimônio e de Pessoal. Ocupou a chefia do Departamento de Assistência ao Ferroviário e foi Assessor da Sub-Chefia Divisional de Operações, da mesma Estrada de Ferro.

Aposentou-se em 1980, após quarenta e oito anos de serviços prestados à EFCB.

Vida Literária

Nas palavras de João Freire, 
"Carlos Guimarães foi exemplo no trato das coisas da UBT. Organizado, tranquilo, principalmente quando não aceitava as provocações que lhe chegavam via postal. Jamais foi omisso quando não tomava decisões drásticas que lhe exigiam e poderiam vir a prejudicar o Movimento Trovadoresco... 
Vitorioso em poesia, pela sensibilidade que sabe colocar em sonetos, poemas e elegias, Carlos Guimarães verseja com preciosa atividade criadora qualquer que seja a medida dos seus versos, a raridade de suas rimas, a pureza de seus temas e pela liderança, pois é um dos criadores de nova corrente literária - a Trova - e ainda pela constante atividade em sua implantação no Brasil, teve também vitoriosa e consagradora carreira de trovador."

Luiz Otávio dirige a UBT até 1969, quando passa o bastão a Carlos Guimarães. Mas dado o agravamento de sua saúde, vem a falecer em 1977. Carlos Guimarães segue na direção da UBT, cargo que exerceu até 1997, quando Deus o recolheu. Segundo o site Falando em Trovas, foi Magnifico Trovador com todos os méritos.
"... desde cedo, se dedicou às letras. Ainda garoto remetia suas composições e alinhavos de poesia para o Jornal do Brasil, onde eram publicados. Também teve muitos de seus trabalhos divulgados no jornal O Atalaia - órgão literário dos alunos da Escola Silva Freire. Mas, foi a partir de 1963 que iniciou o envio de suas composições - trovas, poesia, contos, ensaios - para Concursos Literários, no Brasil, em Portugal e na então África Portuguesa."
Foi... "reeleito, por vários biênios consecutivos, Presidente Nacional e Presidente da Seção Municipal do Rio de Janeiro da União Brasileira de Trovadores - UBT, organismo que, no Brasil, reúne a quase totalidade dos poetas cultivadores da Trova.
Possui o título de Magnifico Trovador que lhe foi outorgado, por duas vezes, por ter se classificado entre os primeiros colocados nos Jogos Florais de Nova Friburgo, durante três anos consecutivos, primeiramente, nos gêneros lírico e filosófico e, posteriormente, no gênero humorístico.

Devido às suas frequentes premiações nos concursos literários promovidos pela cidade de Valença, durante as Festas da Inteligência, foi eleito, por unanimidade, Acadêmico da Academia Valenciana de Letras.

Graças à difícil arte de versejar, Carlos Guimarães possui centenas de troféus,medalhas, placas e diplomas. 

Sua estante abriga prêmios obtidos em diversas cidades brasileiras: Santos, Valença, Niterói, Nova Friburgo, Resende, Divinópolis, Itaguaí, Campos, Maringá, Varginha, Mariana, Pouso Alegre, Petrópolis, Rio Novo, Belém, Belo Horizonte, Taubaté, São Lourenço, Natal, Uberlândia, Recife, São Luis, Magé, Itaboraí, São Bernardo do Campo, Campinas, Porto Alegre, Corumbá, Rio de Janeiro, São Pedro da Aldeia, Cachoeiras de Macacu, Curitiba, Macaé, Mendes etc.

Obteve classificações bastante significativas fora do Brasil: Setúbal, Lisboa, Barreiros, Lobito, Nova Lisboa, Moçâmedes, Ganda, Benguela.

Editou, em 1978, o livro "Cantigas Que Alguém Espera", contendo 303 trovas, grupadas em líricas, filosóficas e humorísticas. Possui, ainda inéditos, outros livros.

Agora, Carlos Guimarães traz à luz seu livro de poesias "Rumos diVERSOS", volume que enfeixa algumas das obras que foi  compondo ao longo de sua vida.
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Segundo sua filha Narli Guimaraes-RJ

 sobre erros no livro A Trova - Raízes e Florescimento-UBT: 

Minhas irmãs desencarnadas eram Carli e Nilci.
Meu pai desencarnou em 1997 e não em 96.
São os únicos erros. Meu pai era isso mesmo, um contemporizador, ninguém conseguia brigar com ele. Apenas um... que era um provocador contumaz e um crítico severo de diversos trovadores.
Escreveu muitas cartas ofensivas, sem nenhum motivo, para vários, inclusive para o meu pai, que, como ele se definia era "algodão entre cristais". Vivia conciliando os brigões.
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Bibliografia
Associação de Engenheiros da EFCB. Revista da Associação de Engenheiros da EFCB. Rio de Janeiro, Ano XV, nº116, Março/Abril 1972, pág 2;
Câmara Municipal de Ganda. Boletim. Cidade de Mariano Machado, Ano VII, nº7, junho 1974, pág 61;
Cantigas Que Alguém Espera. Edição Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 1978;
Rumos diVERSOS. Edição Cia Brasileira de Artes Gráficas, Rio de Janeiro 1993
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